Publicidade digitalA publicidade digital cresce em um ritmo constante no mundo inteiro. Atualmente, o Google detém um terço de todas as receitas mundiais.

Dados do instituto norte-americano eMarketer indicam que, até o fim de 2018, os investidores brasileiros sozinhos aplicarão quase 5 bilhões de dólares do budget de suas empresas em publicidade digital.

Para os próximos quatro anos, estima-se um investimento da ordem US$ 1 bilhão só em mobile, atingindo até 20% do total de recursos destinados à publicidade digital no Brasil (atualmente, o mobile ainda não é expressivo por aqui).

Um revés inesperado

Apesar do avanço inegável dos últimos anos, e das perspectivas promissoras em 2017, ainda não será em 2018 que as mídias digitais (as exclusivamente digitais) ultrapassarão as TVs em matéria de investimentos publicitários.

A veiculação de anúncios de marcas britânicas em páginas e vídeos de extremistas islâmicos provocou, nas últimas semanas, um boicote publicitário por parte de grandes companhias como a Coca-Cola, Johnson&Johnson e AT&T.

Apesar do Google (ao qual pertence o Youtube) anunciar a revisão de suas políticas para publicação de anúncios, o estrago deverá ser sentido ao longo deste e do próximo ano.

A confiança dos anunciantes foi abalada, e isso também afetou a disposição deles de migrarem as verbas publicitárias das TVs para a web. Estima-se que o Google perca esse ano algo em torno de US$ 750 milhões de faturamento publicitário.

As redes de TV vêm enxergando aí uma oportunidade de ouro para se reafirmarem como merecedoras da “maior fatia do bolo”. Depois desse incidente, elas vêm enfatizando a qualidade de sua programação e também suas ofertas digitais (lembrando os anunciantes de que hoje em dia a TV também é digital). As TVs reforçarão o discurso de que representam uma mídia segura para as marcas.

Futuro promissor

Sim, esse incidente, bem como a crise citada há pouco, abalará o cenário de curto prazo, mantendo o investimento em TV ainda à frente do que o destinado à internet. Contudo, levando em conta o ritmo crescente de penetração dos meios digitais, tanto anunciantes quanto analistas de mídias não preveem, de forma alguma, uma desaceleração nessa área.

Uma análise feita pelo grupo IPG Mediabrands Magna prevê, para 2017, um crescimento de 17% da publicidade digital, com faturamento de até US$ 178 bilhões.

Em todo o mundo, o eMarketer estima que, até 2021, a opção pelas mídias digitais representará 50% do share, movimentando quase US$ 300 bilhões.

Calcula-se que, até lá, o investimento em TV sofrerá uma estagnação da ordem de 33% do share publicitário.

O Youtube já não é apenas suporte, mas gerador de conteúdo, formador de opinião e de celebridades (os youtubers). No Brasil, a plataforma de vídeos mobiliza até 80% dentre os 102 milhões de pessoas com acesso à internet. Já a Netflix fechou o ano passado com um número maior de assinantes do que a TV paga Sky. A Netflix tem hoje, aproximadamente, 6 milhões de assinantes no Brasil e faturamento estimado superior a R$ 1 bilhão (30% maior do que o canal SBT).